segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vendeta e a crise do senado


Assisti ontem a noite um ótimo filme chamado V de Vingança (em inglês, V for Vendetta).



O filme, um tanto quanto surreal, é baseado nos quadrinhos de Allan Moore, e narra a história de um mascarado de codnome V, que busca sua vendeta (ou vingança sangrenta) contra os líderes de um partido fascista, que assumiram o governo inglês após um ataque terrorista.

Sem entrar em detalhes (para não estragar a surpresa de ninguém), o filme começa com V explodindo um prédio do governo. Imediatamente a notícia é abafada pelo governo, mas ele invade a maior emissora de TV, e transmite ao vivo um vídeo para toda a Inglaterra convidando todos a presenciarem a explosão do prédio do parlamento inglês no ano seguinte.

Hoje, já pela manhã, lendo mais um capítulo da crise no Senado, me pergunto: existirá algum V no Brasil, disposto a explodir o congresso nacional?

Não aprovo nenhuma ação violenta, mas pelo menos, alguém estaria fazendo alguma coisa. Se olharmos bem, se fala muito, mas quase nada é feito. O governo (seja o governo Lula, governos estaduais ou municipais) não faz nada, seja para não se complicar com a base aliada, seja por envolvimento direto; o judiciário lava as mãos - li que presidente do STF, ministro Gilmar Mendes disse que "crise política se resolve com política"; e o legislativo continua fazendo a festa, aliás, uma baita festa com o nosso dinheiro.
Ah, e a imprensa vem pulando de escândalo em escândalo, noticiando apenas os 5 primeiros minutos, deixando de lado para falar dos gols do Brasileirão, do final de semana de alguma celebridade, ou das últimas homenagens pelo mundo rendidas a Michael Jackson.

Pensando bem, até seria bom que o congresso fosse pelos ares. E nem precisava ter ninguém lá dentro. Uma ligação anônima 30 minutos antes, prédio evacuado, correria da imprensa para chegar no local e... BUMM. E o povo assistindo e batendo palmas.

Quem sabe assim nós passássemos a cobrar o que nos é de direito, e eles passassem a obedecer pra variar um pouco.

Um comentário:

  1. Adoro o filme! Até, por coincidência, estava planejando assistí-lo novamente hoje.

    Um velho advogado - de fato velho, cerca de 80 anos -, que conheço lá da terra dos meus pais (UMRA), também compartilha dessa idéia de explodir o Congresso Nacional. Ouvi essa história dele várias vezes nos últimos anos.

    Teu texto me fez lembrar de um comentarista da CBN - não lembro mais o nome do indivíduo - que lembrou que nos primórdios do nascimento dessa estrutura política, lá em Roma, ser um representante do povo significava abrir mão de privilégios.
    Estamos num país que está muito longe de se aproximar novamente deste significado. Por isso, de uma certa forma, concordo em botar pelos ares o bendito palácio.


    Grande abraço Cadu!



    Marcelo Morimoto.

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