Com as inúmeras acusações feitas ao presidente do Senado, o ex-presidente José Sarney, o conselho de ética do Senado voltou aos holofotes da imprensa. Mas o que todo mundo espera, teme mesmo, é que como muitas outras, essa crise seja abafada, e nada aconteça. Ou que no máximo, José Sarney deixe a presidência da casa.
Para quem não sabe, o conselho é formado por 15 membros titulares e 15 suplentes, num total de 30 Senadores (não chegam aos 40 de Ali Babá, mas trabalham muito mais...). Foi criado em 1993 para manter a ética e o decoro parlamentar dentro da casa. Mas na prática, nada, ou quase nada fez desde então.
Desde 1993, o saldo do conselho de ética é extremamente baixo: uma cassação (Senador Luiz Estevão), quatro renúncias (Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e José Roberto Arruda) e dezenas de arquivamentos.
A verdade é que os membros do conselho de Ética e Decoro não pretendem de forma alguma cortar na própria carne. Exigir a ética e o decoro dos colegas de Senado, exigiria bom exemplo, e no nosso Senado Federal, bons exemplos é o que mais nos falta.
Do site Excelências, mantido pela ONG Transparência Brasil, podemos pegar a ficha (
Na sua coluna no IG, o diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo fez a seguinte divisão:
Empregaram parentes seus ou de outros políticos no Senado (10): Almeida Lima, Antonio Carlos Valadares, Eliseu Resende, Gilvam Borges, Mão Santa, Heráclito Fortes, Rosalba Ciarlini, Augusto Botelho, Lobão Filho, Valdir Raupp.
Usaram indevidamente facilidades do Senado (2): João Pedro, Eduardo Suplicy.
Teriam sido beneficiados por atos secretos (10): Delcídio Amaral, Demóstenes Torres, Antonio Carlos Junior, Maria do Carmo Alves, Gilvam Borges, Augusto Botelho, Arthur Virgílio, Lobão Filho, Wellington Salgado de Oliveira, Valdir Raupp.
Apresentam ocorrências na Justiça ou Tribunais de Contas (10): Romero Jucá, Maria do Carmo Alves, Mão Santa, Gim Argello, João Vicente Claudino, Rosalba Ciarlini, Inácio Arruda, Lobão Filho, Wellington Salgado de Oliveira, Valdir Raupp.
Suplentes (ou seja, não receberam um único voto - 7): Antonio Carlos Junior (na vaga de seu pai, Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007), Jefferson Praia (de Jefferson Peres, morto em 2008), João Pedro (de Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes), Paulo Duque (na vaga de Regis Fichtner, nomeado chefe do Gabinete Civil do governo do Rio de Janeiro, que, por sua vez, era suplente de Sérgio Cabral, eleito governador em 2006), Lobão Filho (de Edison Lobão, seu pai, ministro de Minas e Energia), Wellington Salgado de Oliveira (de Helio Costa, ministro das Comunicações), Gim Argello (de Joaquim Roriz, que renunciou para não ser cassado).
Sobraram apenas quatro senadores com a ficha "limpa": Ideli Salvati, Marisa Serrano, Romeu Tuma, Sérgio Guerra.
Tem como exigir ética assim?







